Relato de Parto Normal Humanizado

Relato de Parto Humanizado

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Pra quem não sabe o que é um parto humanizado, é aquele realizado por uma equipe que irá respeitar a mãe e bebê baseando suas atitudes em evidências científicas, conforme eu expliquei no post sobre parto humanizado.

Após passar por uma cesariana traumatizante e desnecessária, tive o prazer de ter um lindo parto humanizado. Ué!? Mas quem teve uma cesariana pode ter parto normal??? Sim!! e se chama VBAC (Vaginal Birth After Cesarean)

Vamos ao meu relato:

Engravidei com incríveis 106,5kg (o maior peso da minha vida) e, logo no início diagnosticamos diabetes gestacional e hipotireoidismo de Hashimoto. Iniciei a dieta para o controle da diabetes e o tratamento hormonal para o hipo.
Moro em Volta Redonda e optei por ter filho no Rio de Janeiro (capital) que é de onde eu sou e onde está a minha família, mas mais importante, por ser um lugar onde eu conseguiria uma assistência humanizada.
Na luta pela busca da equipe ideal, não me senti a vontade em pagar R$16mil que era o valor cobrado pelas indicações que tive e, milagrosamente encontrei uma obstetra que, segundo me falaram, estava no caminho da humanização, mas que pra mim era mais que perfeita pois respeitava evidências científicas e respeitava (e respeitou!) a vontade da mãe. Na minha opinião, é mais humanizada do que outras que me indicaram.
Inicialmente, tendo em vista a DG, o plano era de aguardar que a princesa viesse de forma natural até 39 semanas. Se isso não ocorresse, iríamos induzir.
Sabendo disso, já com 38 semanas comecei as induções naturais como acupuntura, caminhadas, namoro … e, em paralelo, a médica fez o descolamento de membranas para ver se conseguíamos melhorar o colo que estava com 1 cm dilatado, posterior e longo.
Na consulta de 39 semanas, foi constatado que o colo estava com 3 cm dilatados ( o que fez com que a nossa opção por foley fosse abaixo), posterior, médio e amolecido. Diante disto, a médica sentou e conversou comigo, me deixando positivamente surpresa, ao dizer que daquela forma, as chances da indução com Ocitocina darem certo seriam poucas, então que nosso amigo era o tempo e que ela, respaldada em evidências, iria aguardar 40+1 semanas para induzirmos.
Fiquei muito satisfeita e confiante, pois minha filha teria mais uma semana pra vir no tempo dela.
Nessa semana, eu fiz mais uma sessão de acupuntura (a quarta), dessa vez gratuitamente cedida pela fofa da fisioterapeuta, caminhei, namorei .. fui atrás e manipulei óleos essenciais que a fofa da Fernanda Teles da Vivo Naturalmente gentilmente me ensinou a fazer para indução do parto. Fiz tudo que pude, mas pelo visto a princesa não estava pronta ainda.
Com 39+6, marido e filhote resolveram pintar a minha barriga como forma de despedida. Foi um momento lindo!!
Na madrugada de 40 semanas para 40 semanas +1, fui acordada algumas vezes com contrações, mas não quis contar nem me preocupar, pois tinha passado as últimas duas semanas em pródomos (famoso alarme falso, onde a mulher sente contrações, porém sem ritmo) doloridos e não queria contar mais um alarme falso.
Chegamos as 40+1 semanas e, pela manhã na consulta, a médica constatou que o colo permanecia desfavorável, mas que iríamos tentar ainda assim a indução, pois cada corpo reage de um jeito e tudo poderia acontecer. Dei entrada no hospital as 11:30 da manhã para fazer um cardiotoco, já que iniciaríamos a indução por volta das 16/17h. Era o segundo cardio em 10 dias; O terceiro da gestação.
Teve algo diferente nesse cardiotoco. Todas as vezes anteriores, o marido me acompanhou, mas estávamos mais plásticos, acompanhando um exame e analisando padrões. Esse foi diferente… nesse, estávamos namorando. Estávamos em “alfa”, pois sabíamos que nossa princesa viria. Da forma que desse, mas ela viria. Lembro que a gente trocava olhares apaixonados.. beijos.. lembro de olhar pra ele tão apaixonada como no dia que o conheci (sim, foi amor a primeira vista) e lembrava de outros momentos e aquele clima todo refletia no monitor que acusava contrações regulares, mas ainda ineficientes.
Bom, levantamos e fomos aguardar o laudo. Quando cheguei no lugar que teria que sentar para aguardar, senti um quente escorrendo pela perna. Minha bolsa havia estourado. Dei um sorriso, encostei na parede, avisei ao marido que correu atrás da médica plantonista pra avisar. Ligamos pra nossa médica que ficou maravilhada! Comemorou muito! Disse que nos encontraria as 16 para conversarmos.
Internei e a médica chegou para conversarmos. Em conjunto, optamos por continuar com o plano de indução. Meus pais, meu marido e meu filho estavam conosco no quarto quando ligamos o soro. Também conversamos sobre bomba de infusão ou soro e, em conjunto, optamos pelo soro.
Bom, minutos, literalmente, minutos após o soro iniciar, começaram as contrações regulares e doloridas. Tive que pedir para que tirassem meu filho do quarto e pedi a médica para que fossemos a sala de parto humanizada.
Novamente poucos minutos se passaram até que eu chegasse na sala de parto. A médica já tinha desligado completamente o soro, pois o bicho estava pegando. Como disse a minha doula, correu só “um cheiro” de ocitocina e foi suficiente.
A indução começou as 17 e as 19 eu estava na banheira e implorei por analgesia. Esse foi o pior momento. As dores eram insuportáveis, minha doula ainda não tinha conseguido chegar… Na conversa pela manhã no consultório eu tinha sido enfática avisando que não era pra ceder ao meu pedido de analgesia, mas eu queria muito!! E agora??? Foram os piores minutos da minha vida, pois eu tive que lidar com a dor e, nos intervalos, esgotar toda a minha habilidade de advogada para convencer meu marido e minha médica de que aquele apelo não era de uma desesperada e que era sim um apelo lúcido. Graças a Deus consegui e eles cederam ao meu apelo. A médica havia me avisado que tinha uma anestesista de prontidão que era especial para partos normais e que conduziria com maestria caso fosse preciso (já que eu tinha um colo desfavorável e talvez fosse útil para o parto). Então, ela olhou pra mim e disse “Ingrid, ela demora 45 minutos pra chegar”. Tive mais uma contração e tive certeza de que não iria aguentar esperar e literalmente gritei “chama a anestesista do plantão!”.
E assim foi feito, assumi um risco enorme de estar pedindo uma analgesia duas horas após o início do TP, sem permitir que a médica me avaliasse para saber a dilatação e ainda assumi mais um risco em “usar” a médica do plantão do hospital mais cesarista da face da terra! Mais de 90% de parto cesáreo. Dei sorte. Muita sorte.

A anestesista estava na troca do plantão. Indo embora .. e ainda assim veio me atender. Conversou comigo, foi um doce (apesar da contração no meio do procedimento que me fez gritar muito para conseguir ficar imóvel). Após aplicar, veio conversar comigo e, parece que sabia de todo o meu plano de parto, pois ela me incentivou muito, disse que doía demais mesmo que agora iria melhorar que eu era guerreira e que agora daria pra ter tranquilidade para trazer minha filha ao mundo. E assim foi!
Agradeço muito pela analgesia. Foi a melhor escolha que fiz e me senti muito mais mulher e empoderada dentro daquela sala de parto por ter alterado minha escolha e optado por voltar a ter consciência, controle do meu corpo e trazer minha pequena ao mundo.
Permiti o toque após a analgesia e, pra minha surpresa, estava com 8 cm dilatados. Isso não mudou nem mudaria a minha opção, pois como eu disse antes, eu não toleraria nem mais 5 minutos de dor e eu precisava daquela analgesia independente da dilatação.
Agora sentindo dores suportáveis, pude conversar com a médica, colocar as músicas escolhidas pro parto, pude ver que minha doula havia chegado e enfim colaborar ativamente para a chegada da princesa. Rebolei na bola, agachei, me conectei com aquelas dores e pressões até que olhei pra médica e disse “to sentindo uma pressão maior e tô com vontade de fazer força”. Ela me olhou intrigada, pois não tinha passado muito tempo e perguntou se queria que ela me examinasse. Pedi que sim já que os puxos eram involuntários. Batata. Dilatação total e bebê alta. A médica então me disse pra respeitar meu corpo, fazer como eu queria, do jeito que eu quisesse. Não haveria direcionamento de força, era eu e meu corpo. Pra minha surpresa, optei por ficar deitada, pois assim me sentia melhor e, a cada puxo, sentia a princesa encaixando e escorregando… Chegou uma hora em que a médica pegou minha mão e colocou na vulva. Senti a cabeça. Ali eu chorei e chorei.. já estava na partolândia há algum tempo e depois daquilo mais ainda. Me entreguei por completo. Deixei a mão pra poder sentir ela sair, fiz muito carinho na cabeça dela, chamei… senti a médica mexendo (era pra tirar a circular. sim, teve circular de cordão e não, não é motivo pra cesárea), pensei que ela pudesse estar puxando e pedi que não puxasse. Na verdade ela estava achando q tinha mais uma volta de cordão, mas na verdade era a mão da minha princesa que estava nascendo junto com a cabeça. Continuei conectada, serena, com a minha mão fazendo carinho nela e aí senti escorregar ombros e sair.
Olhei pra baixo e lá estava ela envolta em sangue pronta pra vir pra mim. Meu marido ao meu lado, já tinha se emocionado quando viu a cabeça coroando e agora estava comigo. Eu dizia pra ela ser bem vinda, pedi pra que ela respirasse calmamente… a transição foi serena. Um miado de gato pra não dizer que não chorou por alguns segundos. Cordão foi cortado tardiamente após parar de pulsar. Marido cortou o cordão e eu aparei o do coto. Só emoção. E ali ficamos.. eu e ela. Imediatamente foi pro peito onde ficou por uma longa hora.

Tive uma mínima laceração de períneo segundo a médica. Grau II mas prioritariamente de mucosa, pouca coisa na pele. Tive também uma laceração paruretral causada pela mãozinha dela, mas que não foi suturada pela médica vez que o ponto causaria mais desconforto que a laceração.

Isabel veio ao mundo no dia 15/07/2016 às 20:43 com 3,720kg, 50 cm, 36cm de perímetro cefálico e apgar 10/10. E o melhor? Capurro 41+3!

[edição]

Depois de colocar a Playlist em aleatório, tenho que lembrar que Isabel nasceu ao som de Hello da Adele e, ao nascer a cabeça, começou o refrão “Hello from the other side…”

Equipe Médica:

Obstetra: Mayra Fontainhas
Pediatra: Rogério Leandro
Assistente: Michelle Zelaquett

Doula: Paula Inara

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5 thoughts on “Relato de Parto Normal Humanizado

  1. Nossa, eu estou com o coração em festa ao ler esse relato! Me fez chorar! Parabéns Ingrid, tudo de melhor pra você e sua princesa!

  2. Nossa, estou com o coração em festa ao ler esse relato! Me fez chorar incessantemente! Parabéns Ingrid, muita saúde e felicidade pra você e sua família!

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